Fiscalização de Atividades Urbanas – FAU – Natal/RN

Arquivo para junho, 2014

Natal/RN – Sete motoristas são detidos em blitz da operação Lei Seca

Extraído da Tribuna do Norte.

A Polícia Militar e o Departamento de Trânsito do Rio Grande do Norte (Detran/RN) realizaram blitz da operação Lei Seca durante a madrugada deste domingo (29) e prenderam sete motoristas por dirigir sob o efeito de álcool. Os detidos foram encaminhados à Delegacia de Plantão zona Sul e liberados após pagamento de fiança. Um homem assinou Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por tentar agredir um policial

A operação foi montada na rua Walter Duarte Pereira, no bairro de Capim Macio, zona Sul da capital potiguar, de 00h às 4h. De acordo com o Tenente Styvenson, foram realizados 98 testes de bafômetro e 32 motoristas tiveram suas carteiras de habilitação recolhidas.

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Natal/RN – Mãe Luíza é uma das áreas com maior risco de desastres

Extraído da Tribuna do Norte.

Roberto Lucena
repórter

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (SEMURB) confirmou que o Bairro Mãe Luíza está mapeado no Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), ao contrário do que havia sido informado em reportagem publicada pela Tribuna do Norte do último dia 22. O estudo elaborado em 2008 pela empresa Acquatool Consultoria S/S Ltda apontou 74 pontos de risco em toda a cidade. Quatro pontos estão localizados entre os bairros de Mãe Luíza e Areia Preta. São eles: assentamento Aparecida, Barro Duro, Alto da Colina e Areado.

Júnior Santos
Plano Municipal de Redução de Riscos, elaborado em 2008, apontou 74 pontos de risco em toda a cidade. Quatro estão localizados em Mãe LuízaPlano Municipal de Redução de Riscos, elaborado em 2008, apontou 74 pontos de risco em toda a cidade. Quatro estão localizados em Mãe Luíza

Dos quatro pontos, três receberam nota máxima com relação a possibilidade de riscos. Na escala de 1 a 5, apenas o Barro Duro obteve nota 3 enquanto as demais foram classificadas com nota 5.

O assentamento Aparecida abrange as ruas Guanabara e Atalaia e, segundo o estudo elaborado há seis anos, a área “está sujeita a risco alto de deslizamento de solo e possíveis invasões em área non aedificandi (dunas, área de preservação permanente)”. Apesar das anotações, as possíveis soluções para evitar riscos não foram colocadas em prática definitivamente. A remoção de casas e deslocamento de famílias são exemplos de projetos que estão engavetados.

Em entrevista à TRIBUNA DO NORTE, o secretário adjunto de fiscalização e licenciamento da Semurb, Daniel Nicolau, explica o que foi feito com o PMRR nos últimos anos e confirma que é necessário uma atualização do documento. Confira entrevista abaixo:

Com qual finalidade o plano foi criado?
Na verdade o plano foi uma exigência ministerial. Todos os municípios – dependendo do total de população e área – deveriam ter o plano para poder receber investimentos de uma determinada rubrica. Na época, não existia Defesa Civil e outras estruturas. Então, a Prefeitura contratou uma empresa para fazer o plano. Fora essa solicitação do Governo Federal, havia a necessidade. Nós tínhamos interesse e o Governo Federal disponibilizou verba para fazermos o estudo. Abriu-se convite para os municípios. Nós até já sabíamos das áreas consideradas de risco em Natal, mas não havia uma metodologia adequada para tratar do assunto.

O que coube à Semurb durante esse estudo?

Nós coordenamos o trabalho porque não existia Defesa Civil e o planejamento urbano é de responsabilidade da Semurb. Boa parte do material é de planejamento urbano, mas as responsabilidades foram divididas.

Como assim?
Por exemplo, em 2009, foi criado a Defesa Civil e, a partir daí, foram feitas divisões. Quando o plano fala sobre drenagem, não é a Semurb quem vai intervir na drenagem. Isso cabe à secretaria responsável. Outro ponto: relocação de famílias. Isso também não é com a Semurb. Nós podemos dá suporte, mas o plano foi repassado, em 2009, para a Defesa Civil e a secretaria de Defesa Social quem tomou a frente.

Outras secretarias tiveram conhecimento do plano?
O estudo foi finalizado em outubro de 2008 e, naquele ano, entreguei cópia do plano para cada secretaria. Em 2009, entregamos o documento para a Defesa Civil. Fizemos essa entrega para que cada secretaria extraísse o que era da sua competência. O que é de responsabilidade da Semurb, estamos fazendo desde então. Na verdade a gente já fazia, mas melhoramos com o diagnóstico.

Que tipo de ação foi desencadeada a partir do PMRR?
O que posso dizer é o que aconteceu na Semurb. Houve uma capacitação no município para agentes de defesa civil. Outras secretarias também fizeram isso e esses profissionais capacitados formariam o grupo de crise para fazer um primeiro atendimento em caso de necessidade. A Defesa Civil foi montada, mas não sei como está a estrutura. O plano também definiu para onde as pessoas devem ser levadas em caso de calamidade, quanto seria necessário de alimentação, entre outros. A partir do estudo, cada secretaria deveria correr atrás para fazer os ajustes que precisassem dentro das necessidades.

Alguma obra foi realizada?

O túnel de drenagem da Arena das Dunas foi pleiteado ao Governo Federal. Não sei se, nesse pedido, houve veiculação ao plano, mas o túnel resolve diversos pontos que estão no plano.

Como foi a ação das outras secretarias? Houve atraso?
Eu não identifiquei uma dormência das demais secretarias. Mas é claro que não vou dizer que elas atacaram todos os pontos ao mesmo tempo se não estarei faltando com a verdade, talvez. Sei que estão correndo atrás para melhorar os problemas.

O plano é de 2008. Nesse intervalo de seis anos, ocorreram ocupações inclusive nas áreas apontadas de risco. Essa ocupação aconteceu com o aval da Semurb?
Não. Nas áreas de risco, não houve ocupação regular. A maioria das ocupações está identificada.

Nos 74 pontos detectados como áreas de risco, a Prefeitura não autorizou novas construções?
Não. E tivemos muitas ações de fiscalização.  A Semurb só libera construção em área de risco se algum outro órgão comprovar que o motivo de risco foi controlado.

O plano ficou engavetado?
O que aconteceu foi que o plano foi entregue em outubro 2008, ou seja, no fim da gestão. Entre a entrega do documento e a criação da Defesa Civil houve um lapso por questão da acomodação. Houve a mudança de governo e a reforma administrativa. Nessa reforma, foi feita a Defesa Civil.

O plano precisa ser atualizado? Há essa recomendação?
A empresa que fez o plano apresentou toda a metodologia que ela usou. Assim, você tem condições  de refazer. A ideia é que, com o tempo, não existam mais áreas de risco. Elas devem ser eliminadas com a resolução dos problemas. Tudo precisa de uma revisão. Até a Constituição é revisada, não vai revisar um plano? Precisa. Até porque aparecem novas técnicas, novos problemas urbanos, não nessas áreas pois elas são áreas consolidadas. O máximo que acontece é alguém fazer um primeiro andar.

A Semurb tem condições de fazer essa revisão?
Tecnicamente temos condições sim, mas teríamos que parar a secretaria somente para esse trabalho. Os profissionais que têm condições de fazer a revisão estão envolvidos em outras atividades. Mas precisa ser revisado até mesmo por questões de valores que o estudo aponta.

Como é feita a fiscalização?
Nós temos as fiscalizações espontâneas e as motivadas por denúncias.

O plano prevê a desapropriação de algumas casas, mas isso não foi feito…
E isso não é competência da Semurb. Não temos essa precorrativa.  Nós identificamos o problema e entregamos a quem pode fazer. Muita coisa foge das mãos da Semurb.

Podemos dizer que o desastre em Mãe Luíza era previsível?

A ocupação ali das ruas da parte de cima não é recomendada. Tanto é que o próprio plano previa isso. A duna é muito inclinada e os prédios lá embaixo acabam segurando a duna. O que não aconteceu na área afetada que justamente não tem construção. O desastres foi uma conjunção de fatores.

Era urgente retirar aquelas residências?
Era urgente pela questão social, que existe risco. Mas a área não estava na beira de um precipício. Se não houvesse a conjunção de fatores: falha de drenagem, chuva atípica e construção informal, muito provavelmente não teria acontecido nada. Nunca aconteceu nada desse tipo. Mas sabíamos sim que a área é de risco.

Atualmente, o pessoal da Semurb não está em campo atualizando o plano?
Não. Mas estamos em campo colocando em prática o que o plano diz. A Semurb tem comprido sua competência pedindo, inclusive, pedindo as desapropriações previstas ou as ações de contenção.

A área de Mãe Luíza é a mais preocupante?

Sim. O risco é classificado e lá o risco é o 5, numa escala que vai de 1 a 5.

Houve letargia do poder público, especialmente na administração passada?

Apesar de estar aqui na administração passada, pois sou funcionário concursado, vou falar apenas dessa administração.  Essa administração, desde o primeiro dia, tentamos empurrar, no pacote de obras da Copa, alguns casos que tinham possibilidade de conseguir verba. O túnel de drenagem foi condicionante para a construção da Arena das Dunas.

Erramos
Reportagem publicada na edição Impressa da Tribuna do Norte do último domingo, 22 de junho, destacava que Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR) do Município de Natal estava desatualizado há quase seis anos.  A reportagem destacava que entre as áreas apontadas pelo estudo, a região que sofreu deslizamento de terra e deixou quase 200 desabrigados em Mãe Luíza não havia sido citada no relatório. Essa informação estava errada e está sendo corrigida em entrevista publicada nesta página, com Daniel Nicolau, arquiteto, urbanista e secretário adjunto de fiscalização e licenciamento da secretaria  Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb). A área atingida pelo deslizamento é um dos quatro pontos de Mãe Luíza apontados pelo estudo de 2008, que ainda não saiu do papel.

Natal/RN – Mãe Luiza: Caern conclui serviço para desvio de esgoto até amanhã

Extraído da Tribuna do Norte.

Está em andamento o serviço emergencial feito pela Caern junto à Secretaria Municipal de Obras Públicas e Infraestrutura (Semopi) para construir sistema provisório de drenagem das águas da chuva e do esgoto. De acordo com o gerente da regional Sul da Caern, Lamarcos Teixeira, o serviço de encanamento será concluído até amanhã. Paralelamente, a Semopi trabalha na contenção da encosta do morro.

Rayane MainaraObras provisórias de drenagem e esgoto não foram concluídasObras provisórias de drenagem e esgoto não foram concluídas

Até a manhã de ontem o serviço havia avançado até o meio da cratera. Utilizando canos semelhantes aos já existentes na rede de esgoto, a Caern ligará a rede vinda de Mãe Luíza até a Sílvio Pedroza, por onde segue até chegar na Estação Elevatória de Esgoto Relógio do Sol.

A encanação provisória substitui a que existia anteriormente e foi destruído no deslizamento. De acordo com Lamarcos Teixeira, a área atingida está na menor das duas áreas setorizadas que contemplam o bairro. “A bacia – rede de estrutura sanitária – afetada abrange aproximadamente 900 residências localizadas entre a avenida João XXIII e o espaço onde hoje está o buraco”, explica.

Com o objetivo de tentar reduzir a quantidade de esgoto produzido enquanto não finaliza a medida emergencial, a Caern colocou dois registros controlando o fornecimento de água potável às casas. “Essa estrutura que está sendo feita é um desvio da rede de esgoto das casas ainda ocupadas dentro da região da mesma bacia atingida. Teixeira acrescenta que esse foi o motivo da falta d’água no início dos serviços.

Sobre as medidas definitivas que serão adotadas no bairro, ele disse que estão contidas no projeto para reestruturação da área afetada apresentado pela Prefeitura, através da Semopi. Porém, o secretário adjunto de Obras Públicas e Infraestrutura, Caio Múcio Pascoal, dentro de todo o projeto do Município para a região, com a construção da escadaria “Ladeira da Guanabara”, está previsto condicionar o reparo da rede de esgoto do local, mas o projeto precisaria ser apresentado pela Caern. “Vamos viabilizar o reparo da rede”.

O projeto inclui um pórtico, um posto policial e um ponto de ônibus no terreno entre os prédios Infinity e Aldebaran. A “Ladeira da Guanabara” começará após finalização da contenção da encosta. Os projetos executivos devem ser finalizados, de acordo com a Semopi, até a próxima segunda-feira (30). Mas, para executar o projeto, o Município precisará trabalhar com pelo menos três desapropriações, de terrenos dentro da área afetada pelo deslizamento.

Natal/RN – Mãe Luiza: Poluição se agrava após deslizamento

Extraído da Tribuna do Norte.

Pedro Andrade
repórter

Após os deslizamentos que destruíram casas do bairro de Mãe Luíza e bloquearam a avenida Governador Silvio Pedroza, a praia de Areia Preta registrou índice de balneabilidade 24 vezes superior ao limite que torna o mar impróprio para banho. O índice foi verificado no boletim da última sexta-feira (27) pelo programa Água Azul, que verifica a poluição das praias do Estado e classifica suas condições para banho. De acordo com o geólogo e coordenador do programa, Ronaldo Fernandes Diniz, a primeira medição pós deslizamento, no dia 19, registrou o índice 16 vezes além do permitido.

Magnus NascimentoAlém de águas pluviais, o mar em frente à Areia Preta está recebendo 5 litros de esgoto por segundoAlém de águas pluviais, o mar em frente à Areia Preta está recebendo 5 litros de esgoto por segundo

Em frente a área do deslizamento, o programa verificou o índice de 24 mil coliformes fecais por 100 ml de água. “Como o parâmetro determina que a partir de 1 mil coliformes por 100 ml a água fica imprópria para banho, esse índice está 24 vezes acima. Uma pessoa tomar banho numa água dessa está exposta a sérios riscos”, explicou Diniz.

Enquanto não é finalizado o sistema provisório para levar o esgoto de Mãe Luíza à rede na avenida Governador Sílvio Pedroza, 5 litros de esgoto por segundo são despejados ao mar, de acordo com a Companhia de Águas e Esgotos do Estado (Caern). Isso equivale a 432 mil litros/dia ou 6,48 milhões de litros nos últimos 15 dias.

Após o desastre, no dia 13, o programa Água Azul ampliou de um para três pontos de medição na mesma praia. Agora são um em frente ao local do deslizamento, outro mais à esquerda (próximo ao quebra-mar) e outro à direita (próximo ao Relógio do Sol).

O índice de balneabilidade divulgado ontem apontou que o mar também está impróprio próximo ao quebra-mar de Areia Preta, com 2,4 mil coliformes por 100 ml de água. Já no terceiro ponto de verificação, foi constatado 230 coliformes fecais em 100ml. “Essa diferença ocorre por causa das correntes marítimas, que direcionam o deslocamento da água”, disse Diniz. Segundo ele, após a suspensão total de despejo do esgoto no mar, é necessário uma semana para que a água oceânica na região se renove totalmente. Entre as doenças que podem ser causadas pela poluição dessas águas estão desde doenças de pele até hepatites. “São vírus e bactérias vindos da poluição do esgoto e de entulhos”.

A poluição também foi relevante para que três promotorias do Ministério Público Estadual (as duas do Meio Ambiente e uma de Cidadania) solicitassem perícia na área. Segundo a promotora do Meio Ambiente Gilka da Mata Dias, dez professores da UFRN de diversas áreas vão responder 13 pontos elencados pelo MP sobre o deslizamento e a região.

Entre os esclarecimentos a serem feitos estão especificar os principais impactos ambientais, sociais e urbanísticos; avaliar as causas do deslizamento; avaliar os sistemas de esgotamento e de drenagem existentes na área; especificar as medidas ambientais e urbanísticas preventivas para impedir novos deslizamentos; e esclarecer quais medidas devem ser tomadas para reparação integral dos danos constatados.

“Essa perícia vai identificar os problemas e poderá ser usada em outras áreas de risco da cidade”, afirma a promotora.  Gilka da Mata disse ainda que esse levantamento se diferencia dos contratados pela Prefeitura por ter caráter de recuperação e mapeamento, enquanto aqueles são “de respostas imediatas para evitar novos danos”. Não há previsão de conclusão da perícia.

Panorama da situação
Confira os números da poluição em Areia Preta

24 mil coliformes fecais por 100 ml de água foram registrados no ponto de verificação em frente à área do deslizamento.

230 coliformes/100 ml de água no ponto de verificação próximo ao Relógio do Sol.

2,4 mil coliformes/100ml de água no ponto próximo ao quebra-mar.

5 litros por segundo de esgoto estão sendo jogados no mar com o rompimento da tubulação.

6,48 milhões de litros de esgoto foram lançados no mar em 15 dias.

Natal/RN – OAB/RN recebe doações para desabrigados de Mãe Luiza a partir de segunda

Extraído d’O Jornal de Hoje.

A iniciativa foi decidida pelo Conselho Seccional durante reunião

Foto: Divulgação
Foto: Divulgação

A Ordem dos Advogados do Brasil no Rio Grande do Norte  começará  a receber doações para os desabrigados de Mãe Luiza a partir de segunda-feira(30). A iniciativa foi decidida pelo Conselho Seccional durante reunião realizada na quarta-feira (25). “As fortes chuvas provocaram deslizamentos de terra em Natal no bairro de Mãe Luiza, deixando  mais de 100 casas interditadas e mais de 30 destruídas, nas ruas Guanabara e Atalaia. Vamos convocar a Advocacia e todos que puderem contribuir para ajudar às famílias que tiveram que deixar suas casas”, ressaltou o presidente da OAB/RN, Sérgio Freire.

Os itens de maior necessidade, atualmente, são alimentos não perecíveis, material de limpeza, higiene pessoal, sacos para embalar os kits de donativos, alimentação infantil (leite em pó, mingau), fraldas, roupas e água.

As doações poderão ser entregues das 8h às 18h, na sede da OAB/RN, que fica na Avenida Câmara Cascudo, 478, Cidade Alta, Natal/RN.

SERVIÇO

Ponto de coleta: Sede da OAB/RN (Av. Câmara Cascudo, 478. Cidade Alta, Natal/RN)
Horário: 8h às 18h
Itens de maior necessidade:
Alimentação infantil (leite em pó e mingau);
Fraldas infantis;
Alimentos não perecíveis;
Itens de higiene pessoal;
Material de limpeza;
Sacos para separação de donativos
Informações: (84) 4008-9410

Natal/RN – Moradores de Mãe Luíza fazem mutirão para evitar novas tragédias durante semana de chuva

Extraído d’O Jornal de Hoje.

Chuvas provocaram novo deslizamento, desabamento de casa e carros foram soterrados

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Alessandra Bernardo
alessabsl@gmail.com

Desesperados, após presenciarem mais um deslizamento de terra e o desabamento de uma residência na madrugada desta segunda-feira (23), os moradores das ruas Atalaia e Guanabara, em Mãe Luíza, se mobilizaram para tentar escoar a água das chuvas e evitar que outros imóveis sejam engolidos pela cratera que se formou no local. Pelo menos, três veículos foram atingidos pela terra que desceu no local e um deles foi retirado do meio da lama durante esta manhã, sob os olhares assustados de moradores e curiosos.

O imóvel que desabou em Mãe Luíza era um dos 80 que foram interditados pelo Departamento de Defesa Civil de Natal na semana passada e outros, próximos a ele, também ameaçam cair. “Se isso acontecer, com certeza vai atingir outras casas aqui na Rua Atalaia, que ainda estão em pé. Hoje, ninguém dormiu e quem estava dormindo acordou assustado quando a chuva começou. Eu vi muitos vizinhos perderem suas casas e tudo o que construíram durante a vida e tenho muito medo de acontecer o mesmo comigo, por isso, estou aqui ajudando”, afirmou o morador José Firmino.

Francisco Gomes, que perdeu duas casas na Rua Guanabara no deslizamento do último dia 14, era um dos que estavam mobilizados na tentativa de conter o processo de erosão que ameaça a Rua Atalaia. Ele e outros moradores conseguiram montar uma barreira de contenção da água das chuvas que atingem a região desde a madrugada e desviaram o curso da água, canalizando a enxurrada.

“Esses canos estão aqui desde a semana passada, mas ninguém veio fazer esse serviço, então, nós moradores decidimos fazer antes que aconteça mais um deslizamento de terra e outras casas desabem também. Se a Prefeitura tivesse feito isso que estamos aqui fazendo agora há mais tempo, quando tinha sol, não teria ocorrido mais um deslizamento e a casa que caiu estaria em pé. Tem, pelo menos, outras duas casas prontas para cair e se isso acontecer, pode ter certeza que mais famílias serão atingidas”, desabafou.

Para as pessoas que moram próximo à cratera, o medo é permanente e a comunidade já está se revezando na hora de dormir, para sempre ter alguém vigiando o movimento de terra no local. Para a aposentada Terezinha Rocha, que mora a menos de 50 metros da cratera na Atalaia, o trabalho feito pelas equipes municipais nos últimos dias não surtiu o efeito esperado e o risco de mais deslizamentos continua forte.

“Desde a última quinta-feira que pedimos que eles colocassem os canos para canalizar o curso da água, mas eles só fizeram colocar terra no buraco. Só que a areia foi levada novamente pela água e o buraco só aumenta, colocando mais gente em risco. Se essa casa da esquina cair, a cratera vai engolir metade da Atalaia, incluindo a minha casa. Por isso, estou pensando muito em deixá-la e procurar abrigo com meus parentes”, disse.

Casas são ameaçadas, ainda, por muro de arrimo rachado

Além dos riscos já existentes, pelo menos três famílias da Rua Atalaia estão ameaçadas ainda por um muro de arrimo que apresenta várias rachaduras em sua estrutura. Elas denunciaram que há mais de dois anos que pedem uma providência do município, mas que até o momento não foram atendidas e que temem que, com os deslizamentos de terra, o muro não agüente e desabe, atingindo as residências.

“Já comuniquei várias vezes essa situação à Defesa Civil, ao Corpo de Bombeiros e outros órgãos, mas até agora nada foi feito. Não vieram nem olhar o muro, que está todo cheio de rachaduras. Tenho muito medo pela minha família, porque ele pode cair a qualquer momento, ainda mais com essa instabilidade toda no terreno, por causa dos deslizamentos”, afirmou a dona de casa Ana Maria Silva.

Carros soterrados durante madrugada

A terra que desceu pela cratera iniciada na Rua Guanabara e que já ameaça a Atalaia, atingiu pelo menos três veículos na Avenida Sílvio Pedrosa, conforme a Secretaria Municipal de Obras Públicas (Semopi). Um deles, um táxi de São Gonçalo do Amarante, foi resgatado na manhã de hoje por equipes da Prefeitura. Segundo seu proprietário, que não quis se identificar, só deu tempo dele e do passageiro saírem do carro, antes da areia quase soterrar o veículo.

“Eu estava passando pela via, que tinha sido liberada ontem, quando a terra desceu. Olhei pelo retrovisor e vi os veículos que estavam atrás de mim dando ré e sai correndo de dentro do táxi, junto com o passageiro. Foi só o tempo de fazer isso e meu carro foi engolido pela terra. Graças a Deus, estou vivo. Os bens materiais nós trabalhamos e conquistamos outros, mas a vida não”, desabafou.

E o deslizamento de hoje aumentou a quantidade de terra na Governador Sílvio Pedrosa e na frente dos dois condomínios situados ao lado do terreno afetado. Os edifícios, que foram evacuados desde o início da semana passada, estão ilhados e só há acesso a eles pelos portões de entrada de pedestre, que são mantidos pelos funcionários do local. Por causa do novo deslizamento, a Avenida foi novamente fechada para o tráfego de veículos.

Natal/RN – Imagens de novo deslizamento hoje em Areia Preta já correm o mundo nas redes sociais

Extraído d’O Jornal de Hoje.

Turistas colaboram para a divulgação do momento, onde um veículo ficou semi-soterrado ao tentar passar pela avenida Governador Silvio Pedroza

Foto: Tácio Cavalcanti/Via Certa Natal

Foto: Tácio Cavalcanti/Via Certa Natal

Um novo deslizamento de terra, desta vez, bem mais leve que o registrado na semana passada, pegou de surpresa um motorista que se arriscou ao passar, no início da manhã desta quinta-feira, pelo bloqueio na avenida Silvio Pedroza, em Areia Preta.

Na imagem abaixo, observa-se pedaços de lona, que foi colocada no aterro, a fim de minimizar novos deslizamentos, que ocorreram na madrugada. No entanto, fontes afirmaram ao Portal JH não terem visto nenhum agente público no local, no início da manhã de hoje, apesar na previsão meteorológica ser de tempo nublado na capital potiguar.

Foto: Julio Resende

Foto: Julio Resende

O Fiat Siena, de cor prata, não teve como passar. Ficou completamente atolado na areia fofa, sendo necessário pedir ajuda ao Corpo de Bombeiros. Outro veículo, um táxi Parati, também ficou preso, mas foi retirado em seguida. E o tempo neste feriado de Corpus Christi não é nada animador para os moradores de Mãe Luiza. Segundo o site Climatempo, Natal terá hoje, períodos de sol e nublado, com chuva a qualquer hora, com predominância para a noite.

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Alguns turistas japoneses que passavam pelo local, aproveitaram para registrar o fato. A imagem já corre o mundo nas redes sociais. Enquanto isso, moradores de Mãe Luiza, revoltados, fecharam nesta manhã um trecho da Via Costeira. Eles querem mais providências por parte dos órgãos públicos. O trânsito ficou temporariamente congestionado, até a chegada da Polícia Militar.

Foto: Luana Campelo
Foto: Luana Campelo