Fiscalização de Atividades Urbanas – FAU – Natal/RN

Extraído da Tribuna do Norte.

Avenida Salgado Filho foi interditada para retirada de cinco algarobeiras.

Foto: José AldenirFoto: José Aldenir

Igor Jácome
Repórter

A cena no canteiro da Avenida Senador Salgado Filho chocou natalenses que passavam pela via – que é uma das principais da cidade – na manhã deste sábado (18). Uma dessas pessoas foi a dentista Luciana Monteiro, que deu a volta no quarteirão e estacionou o carro para saber o porquê de a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semsur) derrubar cinco algarobeiras cinqüentenárias no local. A operação, de acordo com o órgão, retirou apenas árvores doentes, ou com risco de queda comprovado por laudos de engenheiros florestais e agrônomos do município.

Somente no primeiro trimestre deste ano, seis árvores localizadas nos canteiros dos bairros Tirol e Petrópolis caíram sobre as vias. Algumas chegaram a atingir veículos que passavam ou estavam estacionados, mas ninguém ficou ferido. A mando do prefeito Carlos Eduardo, a Secretaria Municipal de Serviços Urbanos (Semurb) começou um estudo completo da cobertura vegetal da cidade. A pesquisa ainda não foi concluída, mas um projeto emergencial, feito em parceria entre as Semurb e a Semsur, começou a abater árvores com risco nas áreas supracitadas.

Motosserras começaram a cortar as plantas ainda durante a madrugada, por volta das 3h. Até as 9h, a avenida Salgado Filho ficou totalmente interditada no sentido do Centro a Zona Sul da capital. Uma faixa de rolamento do outro sentido, no trecho em frente ao Hospital Walfredo Gurgel, também ficou com o trânsito impedido. “Nós estamos com uma equipe de 45 homens e foram usados 11 caminhões. Foram retiradas cinco árvores e uma raiz (da última árvore que caiu) foi extirpada. Tudo isso foi licenciado pela Semurb, que fez o estudo e constatou o risco de queda. Ninguém quer tirar uma árvore, mas é melhor retirar essas agora, do que uma pessoa perder a vida num acidente”, afirmou a secretária adjunta da Semsur, Fátima Lima.

Ela lembra que a Prefeitura já havia constatado o problema nas árvores em 2010, porém o Ministério Público, estudiosos da área e a sociedade foram contra o corte. “Agora, depois que as árvores começaram a cair, o próprio MP nos procurou”, argumentou.

O horário da operação foi escolhido para atrapalhar menos o trânsito durante o dia, porém gerou reclamação de alguns moradores da região nas redes sociais. Apesar da primeira etapa concluída, a engenheira Lindalva Barreto, responsável pela operação, destacou que ela não é conclusiva. Outra etapa, para a retirada dos tocos e raízes que ficaram lá deve começar a partir da próxima quarta-feira. Será necessário o uso de retroescavadeiras e ainda são necessárias informações acerca de encanamentos e tubulações subterrâneas no trecho. “Essa operação também vai continuar em outras áreas, mas ainda não posso adiantar quais são, porque vai depender o estudo da Semurb”, colocou.

O engenheiro agrônomo Hélio Pignataro Filho, afirmou que as árvores atingiram um porte inadequado para o local. “Elas estão num local que tem um desnível e têm raízes que afloram, o que compromete a estabilidade da planta”, colocou. Com isso, de acordo com ele, a planta não desenvolve bem. Ele foi um dos autores do estudo que comprovou a necessidade da retirada. A situação delas não poderia ser revertida apenas com poda ou tratamento contra pragas.

“Não está sendo algo aleatório. Temos um plano imediato de compensação ambiental”, explicou o engenheiro florestal da Semsur, Ricardo Moreira. Ele explica que plantas nativas devem substituir as plantas retiradas. De acordo com normas municipais, para cada árvore retirada, o município deve plantar outras quatro. Não é possível, porém, que sejam plantadas todas no mesmo lugar. “Queremos colocar ipês, jacarandá, aroeira, entre outras espécies”, explicou.

Reclamações e apoios

Enquanto os servidores executavam o abate das árvores, motoristas que passavam na região passavam gritando em apoio ou crítica ao trabalho. “Isso mesmo, acabem com as árvores da nossa cidade”, ironizou um. “Tem que tirar mesmo, antes que caia na cabeça da gente”, saudou outro. A dentista Luciana Monteiro, não se contentou apenas com isso. “Eu deixei o meu filho na aula e quando passei aqui resolvi dar a volta no quarteirão. É uma cena chocante”, falou, emocionada.

Ela questionou aos técnicos e à secretária adjunta, o motivo da retirada das árvores. “Essa situação chegou a esse ponto porque não podavam direito. Devia ser um corte alternado, plantar primeiro uma mais nova para depois tirar essas, uma substituição gradativa. Já que cortaram, a gente espera que pelo menos comece e não pare no meio do caminho, que plantem novas árvores. Vou junto com a secretária e o Ronile Santos (administrador da ONG Horto Pitimbu) até o prefeito, porque quero o compromisso de que pelo menos vai ter a substituição, de que não vai ficar o serviço pela metade”, falou após conversar com os especialistas.

Fundador e administrador do Horto Pitimbu, Ronile Santos concordou com a retirada das árvores. “Elas não são próprias para canteiro. Nem mesmo para o espaço urbano. Isso é resultado de um processo de 40, 50 anos atrás, quando houve a substituição das arvore que estavam aqui e essas eram as mudas que havia disponíveis”, lembra. Ainda de acordo com ele, a ONG tem uma parceria formal com o município para distribuir mudas pela cidade. Atualmente há 20 mil mudas no horto.

Ele afirma que há espécies como pau-brasil, ipês e aroeira da praia que podem ser plantadas no local, com espaçamento adequado e que já estão com mais de um metro de altura. “Engana-se quem pensa que árvore que cresce muito rápido é a ideal. É um processo lento”, conclui.

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