Fiscalização de Atividades Urbanas – FAU – Natal/RN

O sultão Mahmud passou a noite bebendo numa turma de amigos.

Quando o dia clareou, Ali, um dos amigos do sultão, com tontura por ter consumido excesso de álcool e cansado de ficar acordado a noite toda, pediu permissão ao sultão para ir para casa.

O sultão lhe disse: “não é apropriado você ir em plena luz do dia, enquanto está bêbado assim. Fique aqui e descanse em um dos quartos até a tarde e depois vá quando você estiver sóbrio. Tenho medo se você for agora, estando nesta situação, que o Muhtasib te veja no mercado, te leve, e aplique a pena sobre você, e assim você vai ter a face humilhada, e ficarei deprimido, sem ser capaz de dizer uma palavra”.

Ali insistiu em ir para casa. Ali era comandante de 50 mil cavaleiros. Ele próprio era um homem cuja valentia valia por mil homens. Ali nem imaginou que o Muhtasib teria coragem de pensar no assunto, quanto mais abordá-lo.

Diante da teimosia do amigo, o sultão Mahmud disse: “a opinião é tua. Deixem-no ir”.

E, assim, Ali, que andava sempre cercado de uma grande caravana de cavaleiros e servos, seguiu para sua casa, nem se dando ao trabalho de desviar do mercado que ficava no seu caminho.

Quando estava no centro do mercado, Ali foi interceptado pelo Muhtasib, que estava com uma centena de seus homens, cavaleiros e caminhantes.

O Muhtasib, ao ver Ali bêbado, ordenou que fosse descido do cavalo.

O Muhtasib também desceu do cavalo e, então, ordenou que dois homens segurassem Ali, e sem qualquer preocupação chicoteou Ali por quarenta vezes.

Ali tocou o chão com os dentes, enquanto sua comitiva e cavaleiros olhavam, e nenhum deles se atreveu a dizer uma única palavra.

Moral da história: mesmo o comandante, que a um simples sinal move 50 mil soldados, o Muhtasib, com apenas cem homens sob seu controle, aplica-lhe a pena em público, na frente dos seus soldados e ninguém pode fazer nada, porque ela, a pena, é aplicada a serviço da ordem do bem e proibição do mal.

Esta é a essência do FAU (Fiscal de Atividades Urbanas).

Esta história é contada no livro “A vida dos reis”, que retrata a elite persa do Século XII, cuja primeira tradução foi para o francês em 1891.

Extraído do Blog Fiscal de Posturas.

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