Fiscalização de Atividades Urbanas – FAU – Natal/RN

Itaércio Porpino
Repórter

Os hábitos de consumo do natalense passam longe de ser sustentáveis. A população tem utilizado muito mais recursos naturais do que o necessário e além do que o meio ambiente pode repor. Para manter seu estilo de vida, os cerca de 900 mil habitantes da capital potiguar consomem o equivalente a 1,9 planeta em recursos ecológicos, mais que as médias nacional (1,6) e mundial (1,5).

Humberto Sales
Secretários municipais de Meio Ambiente das capitais brasileiras se reunem em Natal até hoje (3)
Secretários Municipais de Meio Ambiente das capitais brasileiras reunidos em Natal de 1º a 3/07

A contabilidade dos impactos do consumo humano no meio ambiente, que recebe o nome de Pegada Ecológica, está entre as prioridades da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal (SEMURB), que, depois de desvendar o porquê desse índice tão alto, agora trabalha para reduzi-lo.

A Pegada Ecológica de Natal foi o tema do estudo apresentado pela SEMURB na abertura do VI Encontro Nacional de Secretários de Meio Ambiente das Capitais Brasileiras (CB-27), que teve início em 01/07 e se encerrou na sexta-feira, 03/07, no Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte, em Pitimbu. O evento é uma plataforma colaborativa criada para que os gestores discutam os desafios da política ambiental e troquem experiências das boas práticas sustentáveis já implementadas pelos municípios.

“Essa troca de experiências faz com que, além de mostrarmos que temos trabalhos de relevância, também possamos ganhar tempo copiando as ações que estão sendo desenvolvidas com sucesso em outros municípios”, disse o Secretário de Meio Ambiente e Urbanismo de Natal, Marcelo Rosado.

Sobre a proposta da Pegada Ecológica, ele informou que a meta é, num primeiro momento, reduzir o consumo de 1,9 para 1,5 planeta em recursos naturais, e depois para o ideal, que seria fazer a população natalense consumir menos do que o planeta tem para oferecer.

“Pegada Ecológica é o impacto gerado no planeta a partir do consumo humano, que em Natal se apresenta maior que no Brasil e no mundo. Para diminuir esse índice, nós primeiro desenvolvemos um estudo e identificamos o que faz nossa cidade ter uma Pegada tão impactante. Agora, estamos  buscando adesões de federações, universidades e outras instituições para que elas entendam como é feito o cálculo e ajudem na mudança dos hábitos de consumo”, fala Rosado. O Secretário enfatiza que o cidadão comum precisa se envolver, uma vez que a decisão de cada um é o que mais impacta para que Natal tenha um índice tão alto de consumo dos recursos naturais.

Emissões de poluentes

Presente na abertura do VI Encontro Nacional de Secretários de Meio Ambiente das Capitais Brasileiras, o Ministro-Chefe da Divisão de Clima do Ministério das Relações Exteriores, Everton Lucena, destacou que o Brasil foi o país que mais reduziu o índice de emissões de gases na atmosfera e o que mais trabalhou para mitigar a mudança do clima. E ainda vai ser feito mais. “Devemos buscar políticas para que os setores da agricultura e energia, responsáveis hoje pela maior fatia de emissões, também contribuam com a sua parte na redução”, disse.

O Secretário Executivo do  CB-27, Nelson Moreira Franco, comentou sobre a importância do fórum. “O CB-27 foi criado há três anos com a finalidade de integrar essas capitais que vão exportando seus cases de sucesso. Por exemplo, o Rio de Janeiro, hoje  uma referência na área de combate às mudanças climáticas, treinou e capacitou a Prefeitura de Porto Alegre a fazer a sua política climática”, disse ele, enfatizando  que esta edição do evento está batendo o recorde de participação de representantes. “Das 27 cidades, estão representadas aqui 23, com a participação de 16 secretários do Meio Ambiente”.

Bate-papo – Everton Lucena, Ministro-chefe da Divisão de Clima do Ministério das Relações Exteriores

Qual o papel desempenhado pelo Brasil no cenário internacional?

O Brasil tem participado ativamente do processo de negociação de um novo acordo que está sendo elaborado para ser apresentado na Conferência do Clima 2015, que será realizada em Paris, no mês de dezembro. Temos participado com propostas concretas que visam aproximar tanto países desenvolvidos, que têm um padrão de emissões de gases muito elevado, quanto países em desenvolvimento, caso do Brasil. Junto com a China, Índia e África do Sul, formamos um grupo chamado BASIC e  temos promovido ideias para dar mais celeridade ao processo e assegurar que tenhamos um resultado satisfatório no final do ano, na reunião em Paris.

O Brasil vem conseguindo reduzir os índices de emissão de poluentes na atmosfera? 

Tivemos um êxito muito grande na redução do desmatamento e, com isso,  reduzimos as emissões totais no país. O índice caiu 41% de 2005 a 2012, que são os dados mais recentes. Essa redução é maior do que qualquer outro país já teve. Em termos absolutos, o Brasil foi o país que mais fez para mitigar a mudança do clima. Claro que ainda há setores que precisam ser tratados. Os principais são os da agricultura e energia,  responsáveis hoje pela maior fatia de emissões de gases. Nós devemos buscar políticas para que eles também contribuam com a sua parte e reduzam as emissões.

Há uma meta?

Nós ainda não temos uma meta porque isso está em elaboração. A Ministra do Meio Ambiente, Isabela Teixeira, é quem tem conversado com os diversos ministros para buscar essa meta, que precisa ser apresentada até 1º de outubro.

No parque: Transporte sustentável

Desde a última quarta-feira (01/03), o Parque da Cidade Dom Nivaldo Monte está utilizando um carro 100% elétrico para serviços e transporte de pessoas com dificuldades de locomoção do estacionamento até a área administrativa. O veículo, fabricado pela montadora Nissan e cedido à Prefeitura de Natal pela concessionária potiguar Nissauto, não emite poluentes.

Extraído da Tribuna do Norte.

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