Fiscalização de Atividades Urbanas – FAU – Natal/RN

cara Poluição sonora: quem aguenta tanto barulho?

Minha São Paulo antiga costumava ser uma agradável cidade nos meses de janeiro, um lugar calmo e silencioso, bom mesmo para passar férias. Na época em que quase todo mundo se mandava no verão, as ruas ficavam semi-desertas de carros e de gente. Não mais.

Este ano, muitos paulistanos voltaram antes, de viagens mais curtas, logo nos primeiros dias do mês. O que mais me chamou a atenção, no entanto, foi o barulho. Parece que o bairro inteiro entrou em obras, acrescentando novos sons aos habituais das sirenes, buzinas, helicópteros, aviões, caminhões de lixo, recolhedores de caçambas, motos com escapamento aberto, carros equipados com “pancadões” de funk, a orquestra de sempre.

De manhã bem cedo, ainda dá para ouvir o barulho dos passarinhos, mas logo começa a cacofonia de serras elétricas, britadeiras, furadeiras, marretas, como se cada rua tivesse agora uma obra do metrô. E como o Jardim Paulista, onde passei minha infância, tem muitos prédios velhos, eles vivem em reformas.

Nem meu prédio escapou. Depois da reforma da fachada, que durou anos, começaram as obras de instalação do gerador, com operários abrindo furiosamente os buracos para a instalação dos cabos elétricos, que vão nos salvar dos cortes de energia cada vez mais constantes.

No ano passado, o médico tinha me recomendado tirar uma soneca de meia hora depois do almoço. De que jeito? Barulhos diversos invadem meu quarto vindos de cima e de baixo, por todos os lados, próximos e distantes, ininterruptamente. Viver aqui virou um inferno, e está ficando cada vez pior.

Alguns vizinhos até tentaram se proteger instalando caras janelas anti-ruído, mas não adiantou muito. Por que você não se muda e vai morar na praia?, poderão perguntar os leitores. Não adianta. Nesta época do ano, é até pior, porque todos os barulhos da cidade são transportados para o litoral e se juntam às raves intermináveis de funk e música sertaneja no último volume, que os alegres veranistas acompanham, pulando, gritando e cantando sem parar.

Sim, eu sei que estou ficando um velho rabugento, mas pergunto a vocês se não é possível encontrarmos meios de viver sem produzir tanto barulho, cada vez mais, a qualquer hora e em todo lugar, ficar falando alto nos celulares em restaurantes e transportes públicos, sem nenhuma consideração pelos outros. Em outras cidades e países não é assim. “Pancadões”, por exemplo, são uma criação genuinamente nacional.

Desse jeito, acho melhor ficar surdo de uma vez, que é o que vai acabar acontecendo com todos. Certa vez li uma reportagem sobre este assunto em que se dizia ser possível avaliar o grau de civilização de uma cidade pelos seus índices de poluição sonora. Quem aguenta tanto barulho?

Extraída do Portal R7.

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