Fiscalização de Atividades Urbanas – FAU – Natal/RN

Prefeitura desocupa terreno invadido no bairro Bom Pastor

Equipes da Guarda Municipal de Natal e da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) realizaram, na manhã de 14.09, a reintegração de posse de um terreno no Bairro Bom Pastor, na Zona Oeste da capital potiguar. A área, no entorno da Escola Municipal Francisca Ferreira, pertence à Prefeitura de Natal e estava sendo ocupada por cerca 40 famílias, que pretendiam erguer moradias na região.

A ação das forças municipais começou por volta das 8 horas da manhã e foi motivada por denúncias anônimas de moradores da região. Quatro equipes da Guarda Municipal foram deslocadas para dar suporte de segurança aos Fiscais da Semurb que trabalharam na derrubada dos barracos já construídos. Uma retroescavadeira foi utilizada ao longo do trabalho de limpeza da região.

De acordo com Gley Riviery, Técnico Fiscal Urbanístico da Semurb, que coordenou a reintegração, o terreno em questão havia sido ocupado pela população na última semana. Segundo ele, a demolição da estrutura já construída aconteceu de forma preventiva, para impedir que os moradores se estabelecessem no espaço. “Nosso trabalho visa impedir que aqui se torne uma comunidade irregular”, explica.

Os moradores, por sua vez, afirmam que a área ocupada estava abandonada pela Prefeitura. Eles relatam que o espaço é corriqueiramente utilizado por criminosos, que se escondem em meio ao matagal para praticar delitos. “A Prefeitura só aparece aqui para expulsar a gente. Quando tava a maior sujeira, ninguém vinha aqui. Agora que a gente limpou e tava construindo nossas casas, eles vêm atrás”, desabafou a dona de casa Priscila Paula de Lima, de 32 anos.

A doméstica participou ativamente da ocupação, embora grávida de oito meses e meio. Segundo Priscila, ela e o marido estão desempregados e moram em uma casa alugada nas proximidades do terreno ocupado.

A intenção dela e do marido era de construir um barraco e de se instalar no terreno público, já que o proprietário da casa onde ela vive atualmente a ameaçou de despejo em função do atraso no pagamento do aluguel. “Eu já tinha inclusive comprado os tijolos para construir minha casa. Agora, não tenho pra onde ir. Vou ter o meu filho no meio da rua porque não tenho onde morar”, relatou.

A cozinheira Ariane Maria Bezerra, de 35 anos, também enxergava na ocupação a possibilidade de construir a casa própria. Assim como Priscila, ela também vive em casa alugada e não tem conseguido pagar em dia a mensalidade pelo uso do imóvel. “Não sei o que vou fazer da minha vida. O jeito vai ser ir morar no meio da rua”, lamenta.

Enquanto os barracos eram demolidos e a área desocupada, um grupo de moradores gritava palavras de ordem contra o Prefeito Carlos Eduardo Alves, acusando-o de tratar a situação com autoritarismo. “O prefeito devia vir aqui arrumar uma casa para gente, não mandar a Guarda derrubar a nossa casa”, afirmou a dona de casa Ana Paula Marinho, de 35 anos, mãe de seis filhos.

Os manifestantes ainda tentaram ocupar as duas faixas da Avenida Industrial João Francisco da Mota, próxima ao terreno ocupado. Todavia, a Guarda Municipal conseguiu contornar a situação e convencer os moradores a desobstruir a via.

A ação de reintegração de posse foi finalizada por volta das 10h30. Os moradores, contudo, ameaçam ocupar novamente o terreno, sob o argumento de que “se a gente fizer as casas e for morar dentro, não tem quem nos tire mais”.

Um projeto elaborado ainda durante a gestão da ex-Prefeita Micarla de Souza prevê a construção de um Ecoparque na área que foi desocupada ontem no Bairro Bom Pastor. Apesar disso, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Urbanismo (Semurb) informou que não há previsão de início das obras na área.

Nenhuma medida, inclusive, foi tomada para o isolamento do terreno público. Com isso, sem qualquer perspectiva de obra, há a possibilidade de que o espaço seja novamente ocupado por moradores da região.

Por enquanto, o terreno seguirá servindo apenas para o depósito de dejetos por parte de moradores dos bairros da Zona Oeste de Natal, como Felipe Camarão e Cidade da Esperança, e para o uso, segundo informou a Guarda Municipal, de criminosos que atuam na região. “Aqui é um ponto de venda de drogas e de prática de delitos”, informou um agente da Guarda Municipal que não quis se identificar.

Extraído do Novo Jornal.

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