Fiscalização de Atividades Urbanas – FAU – Natal/RN

Por Felipe Galdino | Foto: Argemiro Lima / NOVO
Natal não é uma cidade segura para animais de rua. Somente em Ponta Negra e Capim Macio, Zona Sul da cidade, pelo menos 79 gatos foram mortos de junho até o início deste mês de novembro. Outros dois cães filhotes, dois tijuaçus – uma espécie de lagarto – e um tatu, que moravam nas proximidades do calçadão da Avenida Engenheiro Roberto Freire, na mata pertencente ao Parque das Dunas, também foram assassinados. A arma do crime: veneno colocado em potes de comida deixados pelas calçadas do bairro para atrair as vítimas.

As informações e denúncias são de uma protetora de animais da região, que faz um controle interno dos bichos e vem percebendo a diminuição da população, sobretudo, felina. Segundo Eleneide Maria Vieira, as quase 80 mortes são bem superiores às do ano passado, quando foram 33 assassinatos de gatos em sua região de atuação. A lista de corpos vem sendo deixada por um verdadeiro grupo de extermínio de animais, diz a dona de casa.

Na semana passada, informa Eleneide, garis da Companhia de Serviços Urbanos de Natal (Urbana) teriam recolhido, em uma pilha, quase 100 cadáveres de gatos amontoados em um terreno de Capim Macio. Uma cena digna das vistas no holocausto da Alemanha nazista, diz. “Nunca vi tanta maldade com animais como vejo aqui em Natal”, lamenta.

Dona Eleneide, de 60 anos, relata que há 13 anos alimenta os gatos que ficam no corredor viário da Roberto Freire. Principais vítimas dos assassinos, ultimamente todos os dias ela percebe o sumiço de quatro ou cinco animais no local. Os antes 15 quilos de ração utilizados por dia para alimentar os bichanos se transformaram agora em apenas 5kg.

Poucos cadáveres são encontrados, ela conta, porque quando são envenenados, os animais, no desespero, saem em disparada a fim de por um fim à dor. A suspeita de envenenamento só aumentou quando dois tijuaçus apareceram mortos ao lado do pote dos gatos. Animais mais lentos, ele aproveitaram a oportunidade para comer a ração que seria para os bichanos e se deram mal.

A protetora diz não saber mais o que fazer, porque até agora não se sabe quem vem dando um fim aos bichos. “É na calada da noite, ninguém sabe”, afirma. “Quando eu morava no Rio tinha o ‘Mão Branca’, que matava pessoas. Hoje aqui em Natal temos os exterminadores de animais. É um grupo de extermínio que só posso classificar como uma entidade diabólica”, destacou.

Ela é uma amante de gatos. Somente em sua casa são nove deles. Quatro são exatamente fruto de violência contra animais. O quarteto, com apenas meses de vida – não definidos – tiveram a mãe morta. Foram encontrados no meio da rua sozinhos e recolhidos pela protetora.

Eleneide acolheu “Tigre” após ele ter sido espancado pelo seu antigo dono

Dentro de casa ainda há o gato chamado “Tigre”, de oito anos. Quando ainda era filhote, um vizinho deu uma paulada no bichano, que ficou com sequelas físicas e mentais. Hoje, ele é basicamente um gato deficiente, fato que favorece a um estágio de obesidade. Aliás, Eleneide conta que apesar de envenenamento ser o principal modus operandi entre os exterminadores de animais de rua, pauladas e chutes também são recorrentes.

Apesar de estar previsto na legislação, a punição para quem comete o crime de maus tratos a animais ainda é branda. Sem contar na dificuldade que a polícia encontra para investigar esses casos. A Delegacia Especializada em Proteção ao Meio Ambiente (Depema), para onde são encaminhados os crimes, não informou sobre número de inquéritos abertos no momento, mas confirmou que apenas uma pessoa foi autuada por maus tratos, ainda no ano passado.

Tratou-se de uma mulher, no Conjunto Cidade Satélite, que colocou uma salsicha envenenada para o gato da vizinha, que comeu e morreu. Imagens do sistema de segurança da dona da vítima flagrou o momento em que a suspeita colocava a comida com veneno. Após uma perícia no alimento, constatou-se o crime, previsto na Lei Federal 9.605/98.

Com possibilidade de reclusão de três meses, praticamente ninguém vai para a prisão. A maioria paga uma multa ou presta serviços comunitários em instituições voltadas para os cuidados com animais. De acordo com o agente de Polícia Civil Edvaldo Carvalho, da Depema, é difícil provar que alguém foi responsável por maltratar um animal.

Ele ainda diz que, em 2016, mais de dez processos foram enviados à Justiça pela equipe da delegacia, frutos de inquéritos envolvendo maus tratos e mortes de bichos. “Mas é difícil, para a Justiça acatar tem que ter comprovado por meio de laudo médico veterinário”, comentou o agente. Ele diz que a Depema não possui pessoal para fazer tal laudo e que a equipe depende de ajuda de veterinários “voluntários”.

Extraída do Novo Jornal.

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